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Ronco e apneia do sono em São Paulo

Acordar cansado depois de oito horas na cama não é falta de disposição. O ronco alto e as pausas na respiração durante o sono indicam que a via aérea está se fechando à noite — um quadro que tem diagnóstico objetivo e tratamento, em adultos e em crianças.

Dra. Daniela Garcia · CRM-SP 170913 · RQE 89966 · Membra titular da ABORL-CCF

Por que roncamos

Durante o sono, a musculatura das vias aéreas relaxa. Se o espaço por onde o ar passa já é estreito, esse relaxamento faz os tecidos vibrarem — e essa vibração é o ronco. Quando o estreitamento é maior, a via aérea chega a colapsar: o ar para de passar por alguns segundos, o oxigênio cai e o cérebro precisa provocar um micro-despertar para reabrir a passagem. Isso é a apneia obstrutiva do sono.

O ciclo pode se repetir dezenas ou centenas de vezes por noite, sem que a pessoa se lembre de nada pela manhã. O sono existe em quantidade, mas não em qualidade — e é isso que explica o cansaço.

Sinais que merecem investigação

  • Ronco alto e habitual, frequentemente notado por quem dorme ao lado.
  • Pausas na respiração durante o sono, seguidas de engasgo ou ronco explosivo.
  • Sonolência durante o dia, cochilos involuntários, risco ao dirigir.
  • Sono que não descansa, apesar de horas suficientes na cama.
  • Dor de cabeça e boca seca ao acordar.
  • Despertares para urinar durante a noite.
  • Irritabilidade, queda de concentração e de memória.
  • Pressão alta de difícil controle e alterações metabólicas.
Por que tratar

A apneia obstrutiva do sono não tratada está associada a hipertensão de difícil controle, arritmias, maior risco cardiovascular e metabólico e a um risco bastante aumentado de acidentes por sonolência. É uma condição crônica que merece diagnóstico e acompanhamento.

Como é feito o diagnóstico

  1. Consulta e história do sono — horários, qualidade, relato de quem dorme junto, uso de medicações, álcool, peso e comorbidades. Questionários validados ajudam a estimar a sonolência e o risco.
  2. Exame físico das vias aéreas — nariz, palato, amígdalas, língua, posicionamento da mandíbula e circunferência do pescoço.
  3. Nasofibroscopia — permite ver, do nariz à base da língua, onde estão os pontos de estreitamento, informação essencial para escolher o tratamento.
  4. Polissonografia — o exame de referência. Registra respiração, oxigenação, ritmo cardíaco, movimentos e estágios do sono, e calcula o índice de apneia e hipopneia por hora, que classifica a gravidade em leve, moderada ou grave.

Tratamentos disponíveis

Não existe um tratamento único. A conduta se define pela gravidade medida no exame de sono, pelo local da obstrução e pelas características de cada paciente — e frequentemente combina mais de uma frente.

Medidas comportamentais

  • Redução de peso, quando há excesso — é uma das medidas de maior impacto.
  • Evitar álcool e sedativos à noite, que relaxam ainda mais a musculatura.
  • Terapia posicional, para quem tem apneia predominante em decúbito dorsal.
  • Regularidade de horários e higiene do sono.

CPAP

Aparelho que mantém uma pressão positiva contínua na via aérea, impedindo o colapso durante o sono. É o tratamento de maior eficácia comprovada nos quadros moderados e graves. A adesão depende muito do conforto — e é aqui que a otorrinolaringologia costuma fazer diferença: um nariz obstruído inviabiliza o uso do CPAP, e tratar essa obstrução frequentemente transforma a tolerância ao aparelho.

Aparelho intraoral

Dispositivo de avanço mandibular, confeccionado por dentista com formação em odontologia do sono, que projeta a mandíbula para frente e amplia o espaço da faringe. Indicado sobretudo em casos leves e moderados selecionados, ou para quem não se adapta ao CPAP.

Tratamento cirúrgico

  • Cirurgia nasal — septoplastia e turbinoplastia, para tratar a obstrução nasal, reduzir o ronco de origem nasal e viabilizar o uso do CPAP.
  • Cirurgias faríngeas — faringoplastias e técnicas sobre o palato e as amígdalas, em pacientes selecionados conforme o padrão de colapso.
  • Adenoamigdalectomia — o tratamento de primeira linha na apneia obstrutiva da criança.

A indicação cirúrgica depende do exame de sono, do local do colapso e das condições clínicas. Nem todo paciente com apneia é candidato à cirurgia, e nem toda cirurgia elimina a necessidade de outros tratamentos.

Ronco e apneia em crianças

Ronco habitual em criança não é normal. Na infância, a causa mais comum é o aumento das adenoides e das amígdalas, e o quadro raramente se apresenta como sonolência: manifesta-se como agitação, dificuldade de concentração, irritabilidade, sono inquieto, xixi na cama e queda de rendimento escolar.

Há ainda um impacto pouco conhecido: a respiração pela boca de forma crônica interfere no crescimento da face e no posicionamento dos dentes. Por isso a avaliação precoce importa. O exame-chave é a nasofibroscopia, que mede o quanto a adenoide obstrui o cavum.

Perguntas frequentes

Todo mundo que ronca tem apneia?

Não. O ronco pode existir sem apneia, mas é o sintoma mais comum dela. O que diferencia os quadros é a presença de pausas respiratórias e queda de oxigênio durante o sono — algo que só o exame de sono confirma.

Qual exame faz o diagnóstico?

A polissonografia é o exame de referência. Ela registra respiração, oxigenação, frequência cardíaca, movimentos e estágios do sono e calcula o índice de apneia e hipopneia por hora, que define a gravidade. Em casos selecionados, exames simplificados domiciliares podem ser usados.

Operar o nariz resolve a apneia?

A cirurgia nasal isolada geralmente não cura a apneia do adulto, porque a obstrução principal costuma estar na faringe. Ela é importante para melhorar a qualidade do sono, reduzir o ronco nasal e viabilizar a adaptação ao CPAP.

Criança que ronca precisa de avaliação?

Sim. Ronco habitual na infância não é normal e a causa mais frequente é o aumento de adenoides e amígdalas. O quadro pode aparecer como agitação, desatenção, sono inquieto e alterações no crescimento da face.

Existe tratamento além do CPAP?

Sim. Dependendo da gravidade e da anatomia: aparelhos intraorais de avanço mandibular, terapia posicional, redução de peso, tratamento da obstrução nasal e cirurgias das vias aéreas superiores. A escolha depende do exame de sono e da avaliação individual.

A apneia tem cura?

Depende da causa. Em crianças, o tratamento da obstrução costuma resolver o quadro. Em adultos, muitas vezes trata-se de uma condição crônica que exige controle contínuo — e o objetivo do tratamento é normalizar a respiração durante o sono e reduzir os riscos associados.

O conteúdo desta página tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico e a orientação individualizada. A indicação de exames e tratamentos depende da avaliação de cada caso. Texto revisado por Dra. Daniela Garcia, otorrinolaringologista, CRM-SP 170913 · RQE 89966.

Voltar a acordar descansado

A investigação define o local da obstrução e a gravidade do quadro — e é a partir daí que se escolhe o tratamento certo para o seu caso.

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